Sacred Touch
Lecture-performance (work in progress)
2025 —
Toque Sagrado
Palestra performativa (em desenvolvimento)
2025 —
Sacred Touch [working title] is a solo lecture-performance with a minimal set up and a small collection of props. It proposes pleasure as a way of accessing history and politics. It's a piece about erasure, modes of seeing, and collective responsibility, disguised as a performance about hot men and desire.
"It all started with a pair of trousers that were a bit too tight, and messages from men saying my bulge was very visible and asking if I had more to sell", a hot man told me on Vinted, the secondhand clothes platform. The algorithm had learned what I was looking at. I'm a gay man, so the research methodology began to follow my biography and online footprint, and soon another side of Vinted appeared on my screen: men in very revealing clothes hinting at something I wasn't yet sure I understood. I kept scrolling, asking myself: "Am I seeing this right? Is this what I think it is?" Those are the questions that led me to develop this performance.
The arguments arrive with brashness and humor through shower curtains from AliExpress, historical paintings, and my personal stories about my relationship to history through my body. The piece unfolds in three parts.
The first traces desire surfacing where it is not supposed to: it connects interviews with men who sell used underwear online to Aachen Cathedral, where fragments of Christ and the Virgin Mary's clothing are kept as relics, to “The Relic”, a 19th century Portuguese novel in which a pilgrim accidentally presents his aunt with a prostitute's lingerie instead of the Crown of Thorns he had promised. Used clothes and sacred relics run on the same fetish logic. None of this is new.
The second part moves through my personal encounters with desire inside institutions: my sexual awakening with statues of Greek gods in encyclopedias; a Titian portrait of King Felipe II of Spain at the Prado, where a gay couple I witnessed as a teenager said out loud what I couldn't yet voice — that the King was hot; a Renaissance ceramic plate depicting a face made entirely of penises. I speak throughout, manipulating props, putting things on, undressing, navigating a thin line between eroticizing myself and embodying the artworks I'm talking about.
The third part is about orientation. I talk about hieroglyphs and emojis, immanence, and the body as a site of political resistance. Others have kept going before us, and we will be here again. There is, and there will always be, something worth fighting for and something worth enjoying. Politics is built on affect and on the body. I'm trying to speak from that place.
The piece is grounded in erotohistoriography — the proposition that desire and pleasure are legitimate tools for historical and political thinking. The body knows things the mind alone cannot access, and the same mechanism that cuts us from the past also cuts us from each other in the present. Finding evidence of this in places that seem absurd or far-fetched is precisely the method. The broader framework draws on Walter Benjamin, Aby Warburg, and Denise Ferreira da Silva.
The dominant artistic and intellectual response to the current political moment has been grounded in trauma and suffering — necessary frameworks, but not the only ones. Pleasure is not a distraction. It is part of how people have always survived, resisted, and made politics together, and that argument deserves to be made with the same seriousness.
The first two parts have been developed, tested, and well received. The third is being developed now. I am looking for co-production, presentation contexts, and residency opportunities to support the development of the complete piece: how the three parts speak to each other as a single arc, how to deepen physical presence and movement vocabulary within a solo practice I am still learning to inhabit, and what kind of space, rhythm, and intimacy the complete piece actually demands.
The working timeline spans 2026 and 2027 for development, with a first complete showing ideally in the second half of 2027.
Toque Sagrado [título de trabalho] é uma palestra performativa a solo, que necessita de recursos técnicos mínimos, e alguns adereços simples. Propõe o prazer como forma de aceder à história e à política. É uma peça sobre apagamento, modos de ver e responsabilidade colectiva, disfarçada de performance sobre homens atraentes e desejo.
"Tudo começou com umas calças um pouco justas demais, e mensagens de homens a dizer que o meu “pacote” era muito visível e a perguntar se eu tinha mais para vender", disse-me um homem no Vinted, a plataforma de roupa de segunda mão. O algoritmo tinha aprendido o que eu andava a ver. Sou um homem gay, por isso a metodologia de investigação começou a seguir a minha biografia e a minha pegada digital, e rapidamente um outro lado do Vinted começou a aparecer no meu ecrã: homens com roupa que não deixa muito à imaginação, a insinuar algo que eu ainda não estava certo de de facto estar a perceber. Continuei a fazer scroll, e a perguntar-me: "Estou a ver bem? Isto é o que eu acho que é?" Foram essas perguntas que me levaram a desenvolver esta performance.
Os argumentos chegam com despudor e humor, na forma de cortinas de banho do AliExpress, pinturas históricas e de episódios pessoais sobre a minha relação com a história através do corpo. A peça desenvolve-se em três partes.
A primeira segue o rasto do desejo a emergir onde se imagina que não deveria: liga entrevistas com homens que vendem roupa interior usada online à Catedral de Aachen, onde se guardam relíquias de roupas de Cristo e da Virgem Maria, e a A Relíquia, o romance de Eça de Queiróz, em que um peregrino acidentalmente oferece à tia rica a lingerie usada de uma prostituta em vez da Coroa de Espinhos que lhe tinha prometido. Roupa usada e relíquias seguem a mesma lógica fetichista. Nada disto é novo.
A segunda parte explora os meus encontros pessoais com o desejo dentro das instituições: o meu despertar sexual com estátuas de deuses gregos em enciclopédias; um retrato de Tiziano do Rei Filipe II de Espanha no Prado, onde, quando eu era adolescente, vi um casal gay dizer o que eu ainda não conseguia verbalizar — que o Rei era giro; um prato de cerâmica do Renascimento que é um rosto feito inteiramente de pénis. Enquanto que falo vou manipulando adereços, vestindo coisas, despindo-me, e navegando a linha ténue entre erotizar-me a mim próprio e encarnar as obras de arte de que estou a falar.
A terceira parte é sobre orientação. Falo de hieróglifos e emojis, de imanência, e do corpo como lugar de resistência política. Outros continuaram antes de nós, e nós estaremos aqui de novo. Há, e haverá sempre, algo pelo qual vale a pena lutar e algo que vale a pena desfrutar. O afecto e o corpo são o chão da política. É desse lugar que estou a tentar falar.
A peça trabalha a partir da erotohistoriografia — a proposição de que o desejo e o prazer são ferramentas legítimas para o pensamento histórico e político. O corpo sabe coisas a que a mente sozinha não consegue aceder, e o mesmo mecanismo que nos corta do passado também nos corta uns dos outros no presente. Encontrar provas disto em lugares que parecem absurdos ou improváveis é precisamente o método. O enquadramento teórico mais amplo parte de Walter Benjamin, Aby Warburg e Denise Ferreira da Silva.
A resposta artística e intelectual dominante ao momento político atual tem sido ancorada no trauma e no sofrimento — enquadramentos necessários, mas não os únicos. O prazer não é uma distracção. Faz parte de como as pessoas sempre sobreviveram, resistiram e fizeram política, e esse argumento merece ser pensado com a mesma seriedade.
As duas primeiras partes foram desenvolvidas, testadas e bem recebidas. A terceira está a ser desenvolvida agora. Estou à procura de contextos de co-produção, apresentação e residência para apoiar o desenvolvimento da peça completa: como as três partes dialogam entre si como um arco único, como aprofundar a presença física e o vocabulário de movimento numa prática a solo que ainda estou a aprender a habitar, e que tipo de espaço, ritmo e intimidade a peça completa verdadeiramente exige.
O calendário de trabalho prevê o desenvolvimento ao longo de 2026 e 2027, com uma primeira apresentação completa idealmente na segunda metade de 2027.
Artistic direction, concept, and interpertation
Direcção artística, conceito e interpretação
Carlos Azeredo Mesquita
Dramaturgy e movement
Dramaturgia e movimento
Catarina Miranda
Musical direction
Direcção musical
Luís Pestana
Set and costumes
Cenografia e figurinos
Nuno Maio
Materials/Materiais
↓PDF Text exerpts/Exertos de texto
A composite voice built from interviews I conducted with eight men selling used clothes on Vinted, the second-hand platform. The text was assembled from their words, unattributed, in a first-person voice that belongs to none of them and all of them simultaneously. They speak about desire, the body as commodity, the economics of masculinity…
Uma voz composta construída a partir de entrevistas que conduzi com oito homens que vendem roupa usada no Vinted, a plataforma de segunda mão. O texto foi montado a partir das suas palavras, sem atribuição, numa voz na primeira pessoa que não pertence a nenhum deles e a todos eles em simultâneo. Falam sobre desejo, o corpo como mercadoria, a economia da masculinidade…














Sacred Touch
Lecture-performance (work in progress)
2025 —
Sacred Touch [working title] is a solo lecture-performance with a minimal set up and a small collection of props. It proposes pleasure as a way of accessing history and politics. It's a piece about erasure, modes of seeing, and collective responsibility, disguised as a performance about hot men and desire.
"It all started with a pair of trousers that were a bit too tight, and messages from men saying my bulge was very visible and asking if I had more to sell", a hot man told me on Vinted, the secondhand clothes platform. The algorithm had learned what I was looking at. I'm a gay man, so the research methodology began to follow my biography and online footprint, and soon another side of Vinted appeared on my screen: men in very revealing clothes hinting at something I wasn't yet sure I understood. I kept scrolling, asking myself: "Am I seeing this right? Is this what I think it is?" Those are the questions that led me to develop this performance.
The arguments arrive with brashness and humor through shower curtains from AliExpress, historical paintings, and my personal stories about my relationship to history through my body. The piece unfolds in three parts.
The first traces desire surfacing where it is not supposed to: it connects interviews with men who sell used underwear online to Aachen Cathedral, where fragments of Christ and the Virgin Mary's clothing are kept as relics, to “The Relic”, a 19th century Portuguese novel in which a pilgrim accidentally presents his aunt with a prostitute's lingerie instead of the Crown of Thorns he had promised. Used clothes and sacred relics run on the same fetish logic. None of this is new.
The second part moves through my personal encounters with desire inside institutions: my sexual awakening with statues of Greek gods in encyclopedias; a Titian portrait of King Felipe II of Spain at the Prado, where a gay couple I witnessed as a teenager said out loud what I couldn't yet voice — that the King was hot; a Renaissance ceramic plate depicting a face made entirely of penises. I speak throughout, manipulating props, putting things on, undressing, navigating a thin line between eroticizing myself and embodying the artworks I'm talking about.
The third part is about orientation. I talk about hieroglyphs and emojis, immanence, and the body as a site of political resistance. Others have kept going before us, and we will be here again. There is, and there will always be, something worth fighting for and something worth enjoying. Politics is built on affect and on the body. I'm trying to speak from that place.
The piece is grounded in erotohistoriography — the proposition that desire and pleasure are legitimate tools for historical and political thinking. The body knows things the mind alone cannot access, and the same mechanism that cuts us from the past also cuts us from each other in the present. Finding evidence of this in places that seem absurd or far-fetched is precisely the method. The broader framework draws on Walter Benjamin, Aby Warburg, and Denise Ferreira da Silva.
The dominant artistic and intellectual response to the current political moment has been grounded in trauma and suffering — necessary frameworks, but not the only ones. Pleasure is not a distraction. It is part of how people have always survived, resisted, and made politics together, and that argument deserves to be made with the same seriousness.
The first two parts have been developed, tested, and well received. The third is being developed now. I am looking for co-production, presentation contexts, and residency opportunities to support the development of the complete piece: how the three parts speak to each other as a single arc, how to deepen physical presence and movement vocabulary within a solo practice I am still learning to inhabit, and what kind of space, rhythm, and intimacy the complete piece actually demands.
The working timeline spans 2026 and 2027 for development, with a first complete showing ideally in the second half of 2027.
Toque Sagrado
Palestra performativa (em desenvolvimento)
2025 —
Toque Sagrado [título de trabalho] é uma palestra performativa a solo, que necessita de recursos técnicos mínimos, e alguns adereços simples. Propõe o prazer como forma de aceder à história e à política. É uma peça sobre apagamento, modos de ver e responsabilidade colectiva, disfarçada de performance sobre homens atraentes e desejo.
"Tudo começou com umas calças um pouco justas demais, e mensagens de homens a dizer que o meu “pacote” era muito visível e a perguntar se eu tinha mais para vender", disse-me um homem no Vinted, a plataforma de roupa de segunda mão. O algoritmo tinha aprendido o que eu andava a ver. Sou um homem gay, por isso a metodologia de investigação começou a seguir a minha biografia e a minha pegada digital, e rapidamente um outro lado do Vinted começou a aparecer no meu ecrã: homens com roupa que não deixa muito à imaginação, a insinuar algo que eu ainda não estava certo de de facto estar a perceber. Continuei a fazer scroll, e a perguntar-me: "Estou a ver bem? Isto é o que eu acho que é?" Foram essas perguntas que me levaram a desenvolver esta performance.
Os argumentos chegam com despudor e humor, na forma de cortinas de banho do AliExpress, pinturas históricas e de episódios pessoais sobre a minha relação com a história através do corpo. A peça desenvolve-se em três partes.
A primeira segue o rasto do desejo a emergir onde se imagina que não deveria: liga entrevistas com homens que vendem roupa interior usada online à Catedral de Aachen, onde se guardam relíquias de roupas de Cristo e da Virgem Maria, e a A Relíquia, o romance de Eça de Queiróz, em que um peregrino acidentalmente oferece à tia rica a lingerie usada de uma prostituta em vez da Coroa de Espinhos que lhe tinha prometido. Roupa usada e relíquias seguem a mesma lógica fetichista. Nada disto é novo.
A segunda parte explora os meus encontros pessoais com o desejo dentro das instituições: o meu despertar sexual com estátuas de deuses gregos em enciclopédias; um retrato de Tiziano do Rei Filipe II de Espanha no Prado, onde, quando eu era adolescente, vi um casal gay dizer o que eu ainda não conseguia verbalizar — que o Rei era giro; um prato de cerâmica do Renascimento que é um rosto feito inteiramente de pénis. Enquanto que falo vou manipulando adereços, vestindo coisas, despindo-me, e navegando a linha ténue entre erotizar-me a mim próprio e encarnar as obras de arte de que estou a falar.
A terceira parte é sobre orientação. Falo de hieróglifos e emojis, de imanência, e do corpo como lugar de resistência política. Outros continuaram antes de nós, e nós estaremos aqui de novo. Há, e haverá sempre, algo pelo qual vale a pena lutar e algo que vale a pena desfrutar. O afecto e o corpo são o chão da política. É desse lugar que estou a tentar falar.
A peça trabalha a partir da erotohistoriografia — a proposição de que o desejo e o prazer são ferramentas legítimas para o pensamento histórico e político. O corpo sabe coisas a que a mente sozinha não consegue aceder, e o mesmo mecanismo que nos corta do passado também nos corta uns dos outros no presente. Encontrar provas disto em lugares que parecem absurdos ou improváveis é precisamente o método. O enquadramento teórico mais amplo parte de Walter Benjamin, Aby Warburg e Denise Ferreira da Silva.
A resposta artística e intelectual dominante ao momento político atual tem sido ancorada no trauma e no sofrimento — enquadramentos necessários, mas não os únicos. O prazer não é uma distracção. Faz parte de como as pessoas sempre sobreviveram, resistiram e fizeram política, e esse argumento merece ser pensado com a mesma seriedade.
As duas primeiras partes foram desenvolvidas, testadas e bem recebidas. A terceira está a ser desenvolvida agora. Estou à procura de contextos de co-produção, apresentação e residência para apoiar o desenvolvimento da peça completa: como as três partes dialogam entre si como um arco único, como aprofundar a presença física e o vocabulário de movimento numa prática a solo que ainda estou a aprender a habitar, e que tipo de espaço, ritmo e intimidade a peça completa verdadeiramente exige.
O calendário de trabalho prevê o desenvolvimento ao longo de 2026 e 2027, com uma primeira apresentação completa idealmente na segunda metade de 2027.
Artistic direction, concept, and interpertation
Direcção artística, conceito e interpretação
Carlos Azeredo Mesquita
Dramaturgy e movement
Dramaturgia e movimento
Catarina Miranda
Musical direction
Direcção musical
Luís Pestana
Set and costumes
Cenografia e figurinos
Nuno Maio
Materials/Materiais
↓PDF Text exerpts/Exertos de texto
A composite voice built from interviews I conducted with eight men selling used clothes on Vinted, the second-hand platform. The text was assembled from their words, unattributed, in a first-person voice that belongs to none of them and all of them simultaneously. They speak about desire, the body as commodity, the economics of masculinity…
Uma voz composta construída a partir de entrevistas que conduzi com oito homens que vendem roupa usada no Vinted, a plataforma de segunda mão. O texto foi montado a partir das suas palavras, sem atribuição, numa voz na primeira pessoa que não pertence a nenhum deles e a todos eles em simultâneo. Falam sobre desejo, o corpo como mercadoria, a economia da masculinidade…













